Os Primitivos no Iê-ie-iê (1967)

Antes de Brasília virar “capital do rock”, a cidade já tinha um disco para chamar de seu. Em 1967, Os Primitivos entraram em estúdio e gravaram um LP que misturava a febre do iê-iê-iê com um repertório improvável: “Mulher Rendeira”, “Asa Branca”, “Luar do Sertão”, “Summertime” e sucessos internacionais, além de uma original: “O Gato”. 

Nas mãos de Carlos Alberto (vocal), George (guitarra solo), Luizinho (guitarra solo), Edson (guitarra base), Armandinho (baixo) e Everardo (bateria), a clássica do folclore nordestino “Mulher Rendeira” foi transformada.

 Com guitarras a ecoar o som dos Byrds e uma batida de rock pulsante, Os Primitivos fizeram algo radical: misturaram o rock anglo-saxônico com as sonoridades profundas do Brasil. O disco engatava “Peguei um Ita no Norte”, uma das pérolas de Dorival Caymmi.

O resultado soa hoje como um retrato extraordinário de uma cidade que ainda estava inventando sua vida cultural — e de jovens músicos tentando descobrir o que poderia ser rock brasileiro no meio do cerrado.

Brasília ainda era uma cidade adolescente. Seu rock também.  ■

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