Placa Luminosa (1977)

Eles saíram de Brasília. Brasília nunca saiu deles. O primeiro disco do Placa Luminosa, lançado em 1977, guarda uma teia quase esquecida de músicos, bandas e compositores que começou a ser formada em Brasília ainda nos anos 60.

Quando o grupo lançou o LP, uma das músicas chamou atenção imediatamente. “Velho Demais”, de Clodo Ferreira e Zeca Bahia. A canção entrou na trilha da novela Sem Lenço, Sem Documento, da TV Globo, e deu a eles o primeiro sucesso nacional.

Mas a história daquele disco começou muito antes. E em Brasília. Os irmãos Ari e Ribah Nascimento, integrantes do Placa Luminosa, haviam tocado nos anos 60 nos Quadradões, uma das bandas da primeira geração do rock brasiliense. Quando deixaram a capital e foram para São Paulo, levaram consigo parte daquela experiência.

Na nova cidade, formaram o Corrente de Força, ao lado de Luizão e Jessé. Este último, um talentoso pianista e vocalista, estouraria nos anos 80 como cantor. E também carregava Brasília na bagagem. No final dos anos 60, havia integrado Os Inocentes, grupo da capital que chegou a gravar um compacto duplo e participou ativamente da primeira cena roqueira do Distrito Federal.

NO PALCO. Nascida em São Paulo, a Placa Luminosa está ligada à cena musical de Brasília nos anos 60 (Reprodução/Internet/Placa Luminosa)

O repertório do Corrente de Força revela outro fio dessa história. Uma das músicas do repertório do grupo era “Sino Sinal Aberto”, de Clodo Ferreira, que chegou a tocar na Rádio Excelsior.

Clodo também vinha construindo sua trajetória em Brasília. Em 1972, venceu o primeiro Festival do Ceub com uma composição chamada justamente “Placa Luminosa”, que integra o LP e também é parceria dele com Zeca Bahia. Fagner, que circulava naquele ambiente musical brasiliense e conheceu Clodo naquela época, também fazia parte dessa rede de jovens compositores que começava a ultrapassar as fronteiras da cidade.

Quando Ari e Ribah formaram um novo grupo em São Paulo, o nome estava ali: Placa Luminosa.

Na primeira formação apareceria ainda Marquinhos, que havia sido vocalista de Os Geniais, outra banda importante da Brasília dos anos 60.

Quando o álbum chegou às lojas, havia muito mais de Brasília naquele disco do que seu endereço de gravação poderia revelar. E “Velho Demais” fechava o círculo: uma banda formada em São Paulo por músicos vindos da cena brasiliense chegava ao país com uma canção composta por Clodo Ferreira e Zeca Bahia, dois personagens de outra vertente da mesma história musical da cidade.

OS FIOS VOLTAM A SE ENCONTRAR

A rede continuaria produzindo encontros. Anos depois, Jessé, o antigo vocalista de Os Inocentes e integrante do Corrente de Força e da Placa Luminosa, alcançaria projeção nacional com “Porto Solidão”, composição de Zeca Bahia e Ginko, apresentada no Festival MPB Shell de 1980.

Vistas isoladamente, essas histórias parecem diferentes: Quadradões, Inocentes, Geniais, Corrente de Força, Clodo, Zeca Bahia, Jessé, Placa Luminosa…

Olhadas juntas, revelam outra coisa. Músicos mudavam de cidade. Bandas acabavam e outras começavam. Compositores entregavam canções aos antigos companheiros. As músicas circulavam por festivais, rádios, compactos, palcos e amizades.

A história do rock de Brasília ainda nem tinha recebido esse nome. Mas a rede já existia. ■

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